O Bom e o Mau

Pinguim

Estamos habituados a classificar os acontecimentos nas nossas vidas como “bons” ou “maus”. Classificamos dessa forma baseados nas experiências que tivemos (ou outras pessoas tiveram) anteriormente.
A dualidade – quente/frio, alto/baixo, noite/dia é a divisão de um tema só. Quando vivemos, experienciamos. Ao classificarmos algo de “mau” ou de “bom”, estamos a limitar o resultado dessa determinada experiência que é sempre uma mais valia para nós: seja no auto-conhecimento, no engrandecimento de nós…
Ao olharmos para o desenrolar da nossa vida de forma desapegada, podemos avaliar como determinados eventos aparentemente “maus e difíceis” nos tornaram mais fortes e com mais sabedoria. E como determinados comportamentos que nos davam prazer e que considerávamos “bons” nos atrasaram e limitaram.
O que estou a dizer é simples: pararmos de classificar o que nos acontece. Ficarmos numa posição neutra, de gratidão por tudo o que nos aconteça é a melhor forma de evoluirmos e aprendermos as lições que a nossa alma assentiu a aprender.
Um dos acontecimentos que classifiquei no meu passado diz respeito ao gato que acompanha agora a minha vida:
Quando decidi mudar a minha vida e de cidade onde morava para ir atrás do que eu julgava ser um amor, adotei um gatinho. Eu nunca tinha tido gatos, e sempre me havia considerado uma “pessoa de cães”. Mas este animal foi desejado e entrou na minha vida bebé. Quando esta relação terminou, fui impelida a deixar o gatinho para trás pelas circunstâncias (é um gato com muita personalidade…). Na minha casa, havia uma cadela que nunca havia sido habituada a lidar com gatos.
Vim embora de coração apertado. Sofri muito com a ausência deste animal que eu me havia habituado a amar.
Um dia, ao sair do meu trabalho, encontrei uma gata à porta do meu carro. Muito meiga, não aguentei em deixá-la na rua, e peguei nela. Mal entrou em casa, agiu como se lá pertencesse. Esta gata era tão meiga, que abordou a cadela com muita delicadeza e foi sendo aceite com o tempo. Passados uns três meses, ela morreu doente. Sendo uma gata de rua, o veterinário disse-me que provavelmente já estaria doente, e tive de permitir que ela fosse abatida…
A minha saudade pelo meu gato mantinha-se, mas eu sabia que este estava naquela casa do passado. Entretanto, recebi um email a dizer-me que fosse buscar o gato, que sujava tudo e já não era aguentado ou desejado!! Fui logo que pude. Tenho o meu gatinho agora mesmo no meu colo a dormir descansado.
Se não tivesse deixado lá, a adaptação teria sido muito difícil cá em casa. Os cinco meses que fiquei separada do meu gato, em que sofri pela ausência, (que classifiquei de “mau”) permitiram que a outra bichinha aparecesse, preparasse a cadela e permitisse as condições para que o Pinguim pudesse voltar à minha vida. Só posso sentir-me agradecida pelo sofrimento e por toda a situação e a forma como se desenrolou.
Olhem para trás: quantas vezes as situações de sofrimento vos abriram portas? Quantas vezes vos permitiram realizações que não seriam, se as circunstâncias fossem outras?
Agradeçam!

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O Caminho de menor resistência

infinito II

No nosso dia-a-dia, temos tendência a efetuar resistência. Há pessoas e situações a que resistimos de forma automática, sem questionar.

Descobri que a melhor forma de lidar com quaisquer situações é não resistir a elas. Aprender a fluir com.

Eu sei que isto é mais fácil dito que feito. Estamos habituados a controlar ferozmente as nossas vidas. Seja de acordo com as nossas visões superficiais dos assuntos que moram em nós, ou da influência de opiniões alheias que permitimos que nos contamine. Acontece que o controlo é uma ilusão. Em momento algum temos controlo sobre as situações ou pessoas. É um dispêndio de maravilhosa energia, que pode ser canalizada para outros lados, que nos beneficiam mais. O controlo pode limitar as possibilidades de renovação das nossas vidas.

Acredito que a todo o tempo, o Universo conspira a nosso favor. Se deixarmos fluir os acontecimentos e as pessoas (aceitando-as como são), então novas possibilidades e pessoas surgem naturalmente. Tudo o que nos aconteça, é sempre a nosso favor. Mesmo que não pareça.

A partir do momento em que nos decidimos alterar o nosso comportamento habitual, começamos a ter percepção dos “control-freaks” que somos. É difícil alterar hábitos arraigados, mas com o passar dos dias e estando atento, consegue-se alterar. (Eu estou a conseguir!) Sem culpas, sem recriminações – para os outros, ou para nós… Cada dia trás novas oportunidades, e se desta vez voltamos a perder a paciência, o nosso centro, outras oportunidades de fluir seguirão.

Depois do choque de entender o quanto limitamos as nossas vidas e relações usando o caminho de resistência, habituamos-nos a este viver mais simples.  É-nos pedido que vivamos o Agora, o momento. Cada momento vem com o presente de uma nova chance de alterar algo que nos chateia e limita. Em vez de olharmos para aquilo da mesma forma de sempre, olhamos com o coração, e com a mais alta visão de nós mesmos.

Ao escolhermos viver a todo o momento a mais alta versão de nós mesmos, podemos viver velhas situações de novas formas. Sentir as situações, e seguir de forma destemida o que diz a voz interior.

Viver no momento, de coração aberto e fluindo, livres de culpas, é um dos caminhos para a felicidade.

Artwork: Dasalexa